trepar ordinariamente é atender o chamado da natureza

permaneça selvagem
gritou o macaco
caí do penhasco
sem me salvar

selvagem da selva
seleto segredo
singelo sepulcro
saindo de sena

permaneça selvagem
seu monte de merda
sem pena sem pata
sem porta e janela

mordeu meu músculo
rasgou minha carne
sangrei um rio
catei piolho

sentei de cocóras
caguei e andei
permaneça selvagem
não limpe a merda

o que caralhos você
pensa que é selvagem
não é estética
é animal

só dá tesão
se o teu for
instinto
visceral

quando você virar cobra
e soltar sua pele
e andar pelada
até nascer de novo

quando você brigar
com um gorila
sem medo de morrer
gargalhando

quando você se achar comida
quando você comer sem dó
quando você for só mais um
do seu bando da sua manada

aí você virou bicho
corpo e instinto
aí você não fode
você trepa

no visceral que eu quero
você não mergulha
tu é corpo que pensa
eu sou corpo que bicho

escrevendo nas madrugadas minhas rotas de fuga / sem nenhum intuito de fazer boa poesia

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