poema nojento ou é tão lindo quando você me machuca

acordei, me olhei no espelho
vi um pontinho, pequinininho
na minha testa, no meu nariz
olhe de novo, cinco pontinhos
água fervendo, passei café
na minha mão, tinha um pontão
fiz que não vi, segui passando
no meu café, um ponto branco

machucadinhos tão bonitinhos
arrebentaram a minha mão
passei pomada com cuidadinho
eles viraram inflamação
tantas nojeiras casquinhas tantas
eu cuidei deles mesmo assim
deixei limpinho e dei beijinho
para ficarem perto de mim

machucadinhos são tantos tantos
na minha língua a fervilhar
dei risadinha e fiz carinho
e eles começaram a sangrar
fluidos verde-amarelo-vermelho
todos tão lindos a escorregar
na minha boca na minha cara
machucadinhos, venham brincar!

meu corpo azul-roxo-esverdeado
machucadinho aqui e lá
juntaram-se todos aos fortes brados
me contorci de gargalhar
ai que roxinhos mais bonitinhos
tão engraçados quero apertar
se enfio o dedo doi um pouquinho
mas eu gosto se você gostar

feridinhas tão abertinhas
que vontade de arregaçar!
suas bordas assim tão vermelhinhas
vamos abrir, vamos dedar
puxei as cascas os resíduos
doeu um pouquinho mas nem senti!
vocês são todos tão bonitinhos
são a família que eu sempre quis

não deixo nunca cicatrizar
pra vocês não fugirem de mim
desde que vi pela primeira vez
quero machucadinhos sem fim
todos os dias futuco aperto
mexo remexo até estourar
sangro coço puxo agarro
vocês vão se deliciar!

machucadinhos ai queridinhos
se vocês forem tem que voltar
eu fico assim tão caidinha
sem vocês pra me enfeitar
dói um pouquinho mas acho lindo
o trabalho que você me dá

de manhazinha logo te chamo
o dia já vai começar

escrevendo nas madrugadas minhas rotas de fuga / sem nenhum intuito de fazer boa poesia

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