mural dos afetos indesejados

começa com negligência, no meio tem saudade e termina com solidão. nessa quarentena fiz uma pesquisa com 28 alunos da rede estadual sobre suas experiências de ensino durante a quarentena. mas podia muito bem ser o mural de qualquer tipo de experiência de qualquer grupo de pessoas na quarentena. (mas não é). hoje terminei o semestre ead e acho que esse mural é meu também. me esforcei internamente para aceitar fazer trabalhos medianos e conseguir terminar esse semestre sem me desgastar tanto assim. me desgastei tanto sim. fiz trabalhos medianos e me senti culpada por isso. excelência aqui é imperativo e frustração. conjuntura ruim não se cura com alto astral. todo o amadurecimento desse ano não torna as coisas ruins dele menos ruins. o copo tá meio cheio mas tá meio vazio também. e tá tudo bem? não sei se tá, talvez não. não acho que tem que tá também.

novas velhas negligências. é grande a saudade. falhei na adaptação. é péssimo sentir assim. a vida tá cansativa. ignorar é ruim. dar solução é complicado. seguir caminhando é desafiador. no fim do dia, só resta dificuldade. ead é péssimo. produtividade é desmotivante. se auto-cobrar é ruim. não se auto-cobrar é difícil. perdida na minha improcedência. não quero mais coisa desafiadora. não quero mais ser ruim. cansada pra sentir saudade. antes achava a quarentena catastrófica. agora, tudo tá só diferente. só inconveniente. só horrível. e eu solidão.

esse mural dos afetos
não queria,
mas carrego.
é tudo meu também.

escrevendo nas madrugadas minhas rotas de fuga / sem nenhum intuito de fazer boa poesia

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